domingo, 22 de novembro de 2015

Jornal do povo - O futebol para além das quatro linhas


O FUTEBOL PARA ALÉM DAS QUATRO LINHAS
Santos, F. A. dos. Cássia, R. de.

O que poderemos descobrir se olharmos por trás da cortina de um espetáculo de futebol? O aluno cauteloso ao olhar diria:
“O futebol é um jogo, um esporte e não possui cortinas para olhar-se por trás. Outro aluno, mais audacioso, poderia ainda responder: eu sei o que acontece por trás, até porque, eu vivo no “país do futebol”, nasci com esta manifestação corporal impregnada em mim. E você, o que responderia?”

O futebol alcança importância gigantesca em nosso país, a ponto de se afirmar ser este o país do futebol. Por isso, você está convidado a espiar, através da cortina, e descobrir os ensaios e ajustes desta apresentação, bem como, aprofundar seus conhecimentos sobre o que pode vir a ser o futebol, para além das quatro linhas que circunscrevem o campo de jogo.

“Esporte é Saúde”,
“Esporte é Energia”,
“Esporte é Integração Nacional”.

Tudo verdade e tudo mentira. Claro que o esporte ajuda a integração nacional. Mas, iniciaremos nossa discussão sobre o futebol como ópio do povo.
Ópio é um analgésico muito potente, e faz nosso cérebro funcionar mais devagar. Disto é possível supor o porquê da expressão que relaciona o futebol a uma espécie de contaminação da consciência crítica do ser humano.
A consciência é formada a partir de inúmeras questões de ordem política, econômica e ideológica, que assumem importância em determinados períodos históricos na conformação ou efervescência da população.
A ideologia, conceito do qual tanto ouvimos falar, tem, na maioria das vezes, seu real significado pouco discutido. Você já deve ter ouvido falar que cada um tem uma ideologia, ou que devemos ter nossas próprias ideologias. Será que ideologia é, então, a mesma coisa que ideais a serem alcançados por cada um de nós?
O filosofo e pensador Karl Marx (1818-1883), conceituou ideologia a partir da dinâmica da luta de classes. Ou seja, para ele, a ideologia está colocada na luta entre aqueles que dominam e aqueles que são dominados.
Assim, os dominantes apresentam suas idéias como únicas válidas e verdadeiras e perseguem, excluem ou exterminam aqueles que as contestam.
A ditadura militar vivida pelo Brasil, entre os anos 60 e 80 do século XX, é um bom exemplo disso. Você já ouviu falar das torturas aplicadas àqueles que não “seguiam a ordem” estabelecida, ou contestavam o governo? Do exílio de autoridades e pessoas comuns que fugiam do país para não serem mortas, permitindo que o governo autoritário mantivesse a sua “ordem”? Enfim, nossa história está repleta de acontecimentos em que a ideologia das classes dominantes era imposta como doutrina, impossível de ser contestada.
Mas como a ideologia pode ser transmitida à população? Por meio de vários canais, tais como: a mídia televisiva, os jornais, revistas, discursos, ou até mesmo as leis de censura, próprias dos governos autoritários, como foi o caso do Brasil no período do regime militar.
Os defensores do futebol, como ópio do povo, entendiam este esporte como uma das possibilidades de veiculação ideológica do pensamento da classe dominante.
Na década de 70, para neutralizar a oposição ao regime, o governo fez uso de vários instrumentos de coerção. Da censura aos meios de comunicação, às manifestações artísticas, às prisões, torturas, assassinatos, cassação de mandatos, banimento do país e aposentadorias forçadas, espalhou-se o medo e a violência. Os setores organizados da sociedade passaram a viver sob um clima de terrorismo, principalmente após o fechamento do Congresso Nacional, em 1966.
Para amenizar essas crises, o governo do presidente Médici (1969-1974) lançou mão do futebol como possibilidade de desviar a atenção da população dos conflitos políticos da época. O objetivo era que, ao invés das pessoas saírem às ruas para participar de manifestações políticas, ficariam em suas casas torcendo pela seleção brasileira numa “corrente pra frente”, como diz a música de Miguel Gustavo, “Pra frente Brasil”.
O governo militar utilizou-se da vitória da seleção, no mundial de 1970, para desviar a atenção da crise econômica, dos problemas sociais e políticos e, principalmente, das atitudes autoritárias relacionadas às torturas, perseguições e mortes, freqüentes naquele período triste de nossa história.
Tanto em 1970 como em 2004, ou em outras vitorias da seleção em campeonatos mundiais, o futebol funcionou como válvula de escape para os problemas sociais. O interesse do governo Médici, neste evento, foi distrair a população, “aliviar” conseqüências da instabilidade política do país em questão com o uso do papel simbólico que o futebol assumiu historicamente.
O futebol apresenta, atualmente, como uma identidade nacional. Um esporte de manifestação cultural do povo e constituidor da identidade da nação brasileira.
“Como um esporte, ou jogo, pode se constituir num objeto que identifica uma nação? Identidade estranha quando se pensa em um esporte que veio de fora do país e hoje anunciamos aos quatro cantos, como se fosse nossa invenção”.

Segundo o antropólogo Roberto DaMatta,
“... sabemos que o futebol brasileiro se distingue do europeu pela sua improvisação e individualidade dos jogadores que têm, caracteristicamente, um alto controle da bola. Deste modo, o futebol é, na sociedade brasileira, uma fonte de individualização e possibilidades de expressão individual, muito mais do que um instrumento de coletivização ao nível pessoal ou das massas. Realmente, é pelo futebol praticado nas grandes cidades brasileiras, em clubes que nada têm de recipientes de ideologias sociais, que o povo brasileiro pode se sentir individualizado e personalizado. Do mesmo modo, e pela mesma lógica, é dentro de um time de futebol que um membro dessa massa anônima e desconhecida pode tornar-se uma estrela e assim ganhar o centro das atenções como pessoa, como uma personalidade singular, insubstituível e capaz de despertar atenções.” (DAMATTA, 1982, p. 27).
É necessário pensar o futebol como algo ainda mais complexo e poderoso do que um instrumento de ideologia das massas e do mercado. Propomos pensá-lo como possibilidade de desenvolver formas solidárias e cooperativas de organização da sociedade. Neste sentido, o futebol seria um esporte, uma prática corporal capaz de fazer refletir sobre diferentes maneiras de organização política e social.
Nesta perspectiva, o futebol organizado nas ruas, pelas comunidades locais, pode se tornar a vitrine de nossa identidade nacional. Esses times que se constituem nas relações sociais democráticas e solidárias, que objetivam a diversão e a integração da comunidade, surgem como exemplos de possíveis organizações políticas alternativas.
O futebol de várzea, de pelada, aquele que você organiza na sua comunidade, na sua rua, cumpre um papel importante na caminhada          rumo à superação de dificuldades e, principalmente, da personalização singular do brasileiro como povo característico e criador de uma cultura própria.

Quando nos colocamos como atores deste espetáculo, muitos problemas podem surgir, principalmente, se você analisar qual o grande público que participa dos jogos organizados nas ruas. Os homens ainda representam a maioria dos praticantes de futebol, embora isso venha mudando com uma freqüência cada vez maior. As mulheres têm conquistado seus espaços, o que pode demonstrar o que dissemos anteriormente, sobre a importância do futebol na discussão de problemas sociais. Nunca é demais lembrá-lo que o futebol deve ser praticado por toda a turma, e isso inclui todos e todas, meninos e meninas, sem distinção.
O jogador é um trabalhador como outro qualquer e, como tal, vende sua força de trabalho em troca de salário. O clube, como um ótimo capitalista, vê nesta mercadoria a oportunidade de obter lucro com a possível venda para outra equipe. Assim, a venda de jogadores, (mercadoria) que atuam no Brasil, para clubes internacionais.
O jogador, tratado como mercadoria por seu clube, vê, nesta transferência, a oportunidade de “mudar sua vida”, ganhar um ótimo salário e visibilidade mundial. O preço destes jogadores-mercadorias brasileiros é baixo em relação aos do mercado europeu, por uma série de fatores. Um deles é, sem dúvida, a péssima administração que cerca o esporte. O outro é a dificuldade financeira atravessada pelos clubes brasileiros.
A crise econômica, que assolou o Brasil, causa impacto, também, nas possibilidades econômicas dos clubes. Estes não têm muitas escolhas, a não ser vender seu jogador a preços estipulados pelos clubes interessados.
Outro provável motivo, que pode ser atribuído ao barateamento dos jogadores transferidos ao mercado internacional, diz respeito ao valor agregado à suposta profissionalização internacional.
Um exemplo pode ser a transferência do jogador Kaká, atuando na época pelo São Paulo Futebol Clube, para o clube italiano Milan. Ao transferir-se para a Itália, Kaká tratou logo de “ajustar” sua imagem, e vendê-la junto com seu produto. O futebol europeu, através das grandes parcerias entre empresas interessadas em mostrar sua marca no cenário mundial, tem como forma de trabalho a vinculação de seus jogadores à imagem de uma profissionalização que rende aos clubes milhões de dólares, e agrega ao valor do jogador quantias bem maiores que as pagas na compra de um jogador daqui do Brasil.
Nossos clubes não conseguem manter contratos milionários com as empresas mais ricas do mundo por um motivo muito claro, nossa população é pobre, temos milhões de problemas financeiros e, principalmente, ninguém confiaria neste mercado, levando em conta o jogo capitalista. As relações de mercado têm forçado os clubes brasileiros a se enquadrarem na lógica competitiva, da venda de mercadorias, assim como as demais estruturas da sociedade. Ficamos nós, torcedores (espectadores), “a ver navios”, com as mãos atadas pelo chamado mundo da bola, cada vez mais profissionalizado.
Finalizada nossa caminhada pelos bastidores do futebol, questões que não caberiam nesta reportagem, ficando como tarefa a serem pensadas, posteriormente relacionando-as com as características da região onde você mora e, melhor que ninguém, saberá discuti-las e problematizá-las “dentro” e “fora” das quatro linhas.

Referencial bibliográfico: Vários autores. Educação Física. Curitiba/PR: SEED, 2006, 17 a 30 pg.





Colégio Estadual José Lobo
Disciplina: Educação física
Professora: Mirna Moreira Batista
4º bimestre
3º lista de exercício
1º e 2º anos do ensino médio
Valor da avaliação até 2,0 pontos

Orientação da atividade avaliativa:
Ø Formar duplas, tirar cópia do texto, da lista de exercício e responder em uma folha de caderno, com cabeçalho.
Ø Utilizar caneta de cor azul ou preta, com letra legível. Não utilizar lápis ou corretivo nas respostas da lista de exercício.
Ø Entregar apenas a lista de exercício respondida, sem o texto, o texto fica com a dupla.
Ø O prazo de entrega em 48 horas.

Lista de exercício 
1.   O que o texto quer dizer sobre “o futebol como ópio do povo”?
2.   O que é ideologia? Como a ditadura utilizou o futebol como ideologia, na década de 60?
3.   O que acontecia na ditadura militar que vai de contra os direitos humanos?
4.   O esporte pode ser saúde, pode ser energia e integração nacional, então, por que o texto coloca com tudo verdade e tudo mentira?
5.   O Brasil, ganha como identidade da nação o Futebol, a partir da ditadura militar, porém existem diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu. Qual é essa diferença?
6.   O futebol é uma prática corporal capaz de fazer refletir sobre diferentes maneiras de organização política e social. Como o futebol pode se apresentar de formas diferentes?
7.   O jogador de futebol é como um trabalhador qualquer, vende sua mão de obra por um salário. Porém o jogador tornou-se mercadoria para os clubes. Nesta compra e venda, através das transferências entre empresas-clubes, o jogador vê a possibilidade de mudar de vida. Mas o que tem acontecido no cenário atual com os jogadores brasileiros?
8.   “Ao transferir-se (Kaká) para a Itália, tratou logo de “ajustar” sua imagem, e vendê-la junto com seu produto”. Porque o jogador Kaká fez este ajuste de imagem?
9.   O que poderemos descobrir se olharmos por trás da cortina de um espetáculo de futebol?
10. Faça um gráfico comparativo das 6 questões, da entrevista feita na primeira lista de exercício, utilizando o quadro quantitativo da segunda lista de exercício, a dupla pode fazer a caneta utilizando a regra.
Exemplo:
Questão 01
















Questão 02

 Questão 03














domingo, 15 de novembro de 2015

15 DE NOVEMBRO – DIA DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA


O Marechal Deodoro da Fonseca capitaneou o processo de instauração da República em 15 de novembro de 1889.
Proclamação da República Brasileira ocorreu no dia 15 de novembro de 1889, na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império. É por isso que, nesse dia, celebra-se esse acontecimento, sendo decretado feriado em todo o território nacional. O processo de instauração do regime republicano no Brasil teve como antecedentes: as várias crises institucionais que o reinado de Dom Pedro II sofreu ao longo das décadas de 1870 e 1880 e as manifestações ideológicas que permearam esse mesmo período.
A estrutura do poder imperial, que possuía um caráter centralizador, não permitia que as províncias tivessem autonomia – fato que desagradava elites regionais, como a dos fazendeiros do oeste paulista. Estes últimos também ficaram insatisfeitos com a abolição da escravatura, que ocorreu no ano de 1888, pois não foram indenizados pelo império. Além disso, havia insatisfação também entre os militares, que almejavam, em grande parte, imbuídos de ideais positivistas e republicanos, uma república autoritária e modernizadora.
Havia também o grupo dos civis defensores do republicanismo e do abolicionismo, notável em suas ferrenhas críticas à estrutura do poder imperial. Nomes como os dos jornalistas Quintino Bocaiuva e Silva Jardim destacaram-se nesse processo. Esse último caracterizou-se por uma postura mais radical e revolucionária, enquanto o primeiro procurou articular os vários interessados na derrubada do Império com o objetivo de fazer uma transição o menos violenta possível. Vale ressaltar que o movimento abolicionista não se restringia e nem estava vinculado direntamente a ideias republicanos. Grande parte dos abolicionistas apoiavam o Império e, diga-se de passagem, foi o próprio império que gradativamente estruturou as medidas abolicionistas, que culmiram com a Lei Áurea, em 1888. 
O jornalista Quintino Bocaiuva foi um dos principais articuladores do golpe de 1889 **
O jornalista Quintino Bocaiuva foi um dos principais articuladores do golpe de 1889
Bocaiuva, ao lado de outro jornalista republicano, Aristides Lobo, foi, então, um dos principais responsáveis pela união dos interesses que almejavam o fim do reinado de Pedro II, tanto de militares e fazendeiros quanto de revolucionários republicanos. Em meados de 1889, após os membros republicanos do Parlamento terem rejeitado as propostas reformistas de Pedro II, que pretendia conservar-se no poder, Bocaiuva e Aristides Lobo começaram suas articulações e, em novembro, associaram-se ao Marechal Deodoro da Fonseca, principal chefe do exército brasileiro, e prepararam o golpe que foi dado no dia 15.
Após a Proclamação da República, Deodoro confeccionou uma notificação que foi encaminhada à família real, cujo conteúdo ordenava a saída do imperador e sua família do país. O processo da passagem do Império à República já foi largamente estudado por historiadores, desde o fim do século XIX até os dias de hoje. O impacto desse evento na época está bem documentado e revela o caráter de quase incredulidade da maior parte da população, princialmente da capital à época, Rio de Janeiro, que viu, em poucos dias, o ocaso do Império, como pode ser observado neste relato do jornal carioca Novidades:
“Todo o movimento social da cidade acha-se paralisado. O comércio em grande parte fechou as portas. As ruas mais frequentadas estão desertas; raros transeuntes passam, apressados, como perseguidos. […] O serviço de bondes é feito com grande irregularidade; há longos intervalos no trânsito dos carros, que chegam aos pontos de estação aos grupos de cinco e seis. […] O pânico anda no ar e nas consciências.” (Novidades [jornal]. Rio de Janeiro, 15 nov. 1889)
Conhecer a história é conhecer a ti mesmo. Para mudar o futuro não se pode esquecer do passado. E um passado tão nobre, honrado e guerreiro, como o nosso país, Brasil, faz da nossa luta permanente e continua por um país melhor. Acredito na mudança através da educação, arte, cultura e esporte, oferecendo as novas gerações novas oportunidades de crescimento coletivo e social.  

Eu faço esporte ou sou usado pelo esporte?

Colégio Estadual José Lobo
Disciplina de Educação Física
Professora: Mirna Moreira Batista
4º bimestre/2015
1º e 2º anos do ensino médio
Lista de exercício nº 02

Orientação da atividade avaliativa:
Formar duplas, tirar cópia do texto, da lista de exercício e responder na própria lista de exercício.
Entregar apenas a lista de exercício respondida, sem o texto, o texto fica com a dupla.
O prazo de entrega em 48 horas.
Utilizar canetas de cor azul ou preta. Não utilizar lápis ou corretivo nas respostas da lista de exercício.

Texto: Eu faço esporte ou sou usado pelo esporte?
Autor: Gilson José Caetano
Bibliografia: Vários autores. Educação Física. Curitiba/PR: SEED, 2006, 49 a 58 pg.

O esporte escolar, muitas vezes, é um reflexo do esporte competitivo ou rendimento. Este divulgado e incentivado pelos meios de comunicação, que atendem anseios do mercado consumidor, fortemente ligado ao ideário do sistema capitalista. Devemos entender tais propósitos, que estão postos de forma oculta, o que nos torna passivos e legitimadores desse sistema, para que possamos sair da condição de consumidores passivos e nos tornarmos entendedores da situação. Dessa forma, como podemos observar as intenções da mídia, presentes nas transmissões do esporte? E como entender o que está por trás de tal discurso? Você seria capaz de diferenciar o esporte dito “escolar” daquele esporte veiculado pelos meios de comunicação?

Evolução do Esporte até a Profissionalização:
“O esporte que conhecemos hoje é fruto de profundas transformações sociais ocorridas com o advento da chamada Revolução Industrial na Europa dos séculos XVIII e XIX, com origens, sobretudo, inglesas.” (BETTI, 2004, p.17).
Para entender o processo histórico em que surgiu o esporte, tão apreciado pela sociedade contemporânea, é necessário compreender algumas das transformações sociais que ocorreram naquele contexto. Entre os séculos XVI e XVIII, a sociedade européia era organizada em estamentos, ou seja, a posição dos sujeitos na hierarquia social era definida pelo seu nascimento. As pessoas que descendiam da nobreza tinham direitos e privilégios sociais muito maiores que o povo. Mesmo a burguesia, grupo social que se desenvolveu aos poucos, o longo daquele período até conquistar o poder econômico, não gozava dos mesmos direitos que os nobres.
A burguesia, classe que passou a ter forte influência sobre as demais, utilizava-se da pratica esportiva como forma de normatizar e disciplinar seus próprios filhos, a fim de prepará-los para saber controlar as tensões sociais. Ao mesmo tempo em que essa classe social buscava conquistar o poder político, consolidava-se seu poder econômico por meio da Revolução Industrial. No século XIX, com as reivindicações da classe operária para redução das jornadas de trabalho, os trabalhadores obtiveram acesso a um tempo destinado ao lazer. Mas o que fazer nas horas vagas? Junto a isso, intensificou-se o processo de urbanização que criava espaços públicos. Mas como utilizar esses espaços de forma correta?
A classe trabalhadora conquistou, após inúmeros enfrentamentos, a redução da jornada de trabalho e alguns direitos como o sufrágio universal. Estas conquistas preocuparam a burguesia em relação à forma como os trabalhadores poderiam aproveitar o tempo de folga. Isso seria uma poderosa arma a ser utilizada contra ela mesma (burguesia), uma vez que com esse tempo de folga e com os espaços públicos disponíveis para os momentos de lazer, seria fácil a criação de movimentos sociais contra a classe dirigente
Nesse sentido, surgiu a importância de incentivar a classe trabalhadora a aderir à prática esportiva, como forma de ocupação do tempo livre, diminuindo as possibilidades de tensões sociais. “No entanto, o significado dessa prática para essas classes sociais era outro, o corpo foi o meio, caracterizando-se uma prática mais viril” (RODRIGUES, 2004).
Dentro dessa perspectiva, o esporte assumiu diferentes papéis e um deles foi de elemento de socialização (para a elite), tendendo a uma prática amadora. Já para a classe trabalhadora, o esporte era praticado de uma forma mais combativa, aproximando-se do que viria a ser, mais tarde, o esporte “profissional”.

Surgimento do Esporte Espetáculo
A evolução do esporte até tornar-se “espetáculo” aconteceu de forma “natural”, pois, no sistema capitalista, um fenômeno aceito e incorporado tanto pela classe trabalhadora quanto pela classe dominante não poderia passar despercebido. Assim, o esporte, principalmente depois da Segunda Guerra Mundial, passou a ter conotações mercadológicas.
O esporte, na segunda metade do século XX, assumiu grande relevância social. Para muitos praticantes, esse fenômeno representava uma forma de status e, principalmente para as classes menos favorecidas, era o meio mais rápido de ascensão social.  Os meios de comunicação de massa contribuíram para a divulgação e ajudaram a criar essas “falsas ilusões”, valorizando o esporte e tornando-o uma mercadoria de consumo. Mas você sabe por que aconteceu isto? Para atender aos interesses de quem?
Alguns pesquisadores escrevem sobre este tipo de desvirtuamento que o esporte foi submetido. Proni (1998, p. 93), com base nos estudos de sociólogos, argumenta que “(...) antes do domínio da televisão, mudanças nas regras, estrutura e calendário foram introduzidos para aperfeiçoar o esporte ou incrementar a assistência das partidas. A partir do momento que o controle econômico se deslocou para a televisão, mudanças foram introduzidas para agradar os telespectadores ou gerar mais receita com propagandas”.
Um dos exemplos mais claros seria a questão da exploração da mídia sobre o voleibol, o qual teve suas regras alteradas em favor de interesses da televisão, como no caso da exclusão da “vantagem”, e também a inserção do “tempo da TV” que acontece sempre no oitavo e décimo sexto ponto de cada set. Será que isto também acontece com outros esportes?

O Esporte na Escola:
O processo de implantação da prática esportiva no ambiente escolar aconteceu, principalmente, na década de 1970, pois alguns anos antes desse período, poucas equipes nacionais conseguiram resultados expressivos no cenário esportivo internacional.
Nesse aspecto, Betti (1991) aponta que:
“O esporte pareceu também ir ao encontro da ideologia propagada pelos condutores da Revolução de 1964: aptidão física como sustentáculo do desenvolvimento, espírito de competição, coesão nacional e social, promoção externa do país, senso moral e cívico, senso de ordem e disciplina”. (p. 161)
O esporte pareceu também ir ao encontro da ideologia propagada pelos condutores da Revolução de 1964: aptidão física como sustentáculo do desenvolvimento, espírito de competição, coesão nacional e social, promoção externa do país, senso moral e cívico, senso de ordem e disciplina. (BETTI, 1991, p. 161)
Entendia-se, na época, que para um país destacar-se mundialmente, tanto política como economicamente, era necessário destacar-se também nos esportes. Desse período advém, até os dias de hoje, a implantação do fenômeno esportivo associado à Educação Física escolar.
O trecho a seguir retrata o que se pensava a respeito do futebol no período da ditadura no Brasil e em outros países da América do Sul:
Os generais e o Futebol
“Em pleno carnaval da vitória de 70, o general Médici, ditador do Brasil, presenteou com dinheiro os jogadores, posou para os fotógrafos com o troféu nas mãos e até cabeceou uma bola na frente das câmaras. A marcha composta para a seleção, Pra Frente Brasil, transformou-se em música oficial do governo, enquanto a imagem de Pelé, voando sobre a grama, ilustrava, na televisão, anúncios que proclamavam: Ninguém segura o Brasil. Quando a Argentina ganhou o mundial de 78, o general Videla utilizou, com idênticos propósitos, a imagem de Kempes irresistível como um furacão. O futebol é a pátria, o poder é o futebol: Eu sou a pátria, diziam essas ditaduras militares. Enquanto isso, o general Pinochet, manda-chuva do Chile, fez-se presidente do Colo-Colo, time mais popular do país, e o general García Mesa, que havia se apoderado da Bolívia, fez-se presidente do Wilstermann, um time com torcida numerosa e fervorosa. O futebol é o povo, o poder é o futebol: Eu sou o povo, diziam essas ditaduras.” (GALEANO, 2004, p. 136-137).
Atualmente, a razão da Educação Física escolar apoiar-se em tal fenômeno está relacionada com a “crença comum de que a participação é um elemento de socialização que contribui para o desenvolvimento mental e social.” (LOY et al, 1978 citado por BRACHT, 1997, p.75). Os resultados obtidos pela política esportiva da ditadura podem ser considerados um desastre quase social.
Ao utilizar-se do esporte nas aulas de Educação Física, muitas vezes a “(...) escola tende a reproduzir os discursos e soluções apontadas pela mídia. Não promove um diálogo. Apenas reforça a obtenção de informação compacta e fácil em detrimento de uma reflexão crítica. Essa situação gera uma ausência de significados (...)” (Gomes, 2001).
O esporte escolar deve estar caracterizado como “Esporte Educação” e não como “Esporte na Escola”. Do ponto de vista prático, o esporte não pode ser negado, mas sim utilizado de forma que desperte no aluno interesse e prazer e tenha uma intencionalidade educativa, nunca o jogo pelo próprio jogo. Você não acha mais interessante jogar “com” do que jogar “contra”?
A prática esportiva deve propiciar a você uma compreensão mais ampla sobre as relações sociais, às quais, constantemente, somos submetidos. Para que, por meio do esporte, possamos entendê-las de forma mais crítica e autônoma, tornando-nos donos de nosso próprio entendimento.




Colégio Estadual José Lobo
Disciplina de Educação Física
Professora: Mirna Moreira Batista
4º bimestre/2015
2º lista de exercício de fixação

Exercício de fixação
1.   O esporte surgiu após a Revolução Industrial, entre os séculos XVI e XVIII, como era organizada a sociedade naquela época e por que o esporte teve forte influencia da classe burguesa?
2.   O que a classe trabalhadora do século XIX, fazia nos momentos de lazer e como a classe burguesa reagiu, neste momento, de lazer dos trabalhadores?
3.   O esporte praticado pela elite era o mesmo da classe trabalhadora? Justifique.
4.   Quando o esporte espetáculo ganhou a conotação mercadologia?
5.   Mas você sabe por que aconteceu surgiu o esporte espetáculo e para atender aos interesses de quem?
6.   Porque a Televisão foi tão importante para a divulgação do esporte espetáculo.
7.   Em que momento implantou o esporte na escola e com qual objetivo?
8.   Como o futebol foi tratado no período da ditadura militar, no Brasil?
9.   Porque o esporte na escola foi considerado um desastre social no Brasil?
10. Quais foram as atividades praticadas na aula de educação física sobre o esporte? Qual foi o objetivo da aula? Justifique.
11. Quais são as implicações do esporte espetáculo para profissionalização do esporte?
12. Como a ideologia dominante, da classe burguesa pode ser transmitida ao povo? Marque a opção correta:
a)   Futebol                  
b)   Educação   
c)   Meios de comunicação
d)   Todas as alternativas estão corretas
13. O governo militar utilizou-se da vitória da seleção, no mundial de 1970, com qual intuito? Marque (V) para verdadeiro ou (F) para falso:
(   ) Desviar atenção da população
(   ) Para fortalecer a seleção para a próxima copa
(   ) Válvula de escape para os problemas sociais
(   ) Aliviar as conseqüências da instabilidade política do país
14. Na área de Educação Física Escolar muitas transformações e mudanças na prática do esporte, durante os anos, hoje temos uma vasta e ampla discussão de outros modelos de esporte para atender a diversidade humana e a necessidade social da atual sociedade. Qual modelo de esporte é reflexo da nossa aprendizagem dentro e fora da escola, e das influencias midiática?
a)   Esporte educacional
b)   Esporte participação
c)   Esporte rendimento
d)   Esporte espetáculo
15. Complete o quadro abaixo, com as informações da pesquisa feita na semana passada.
Exemplo:
Quantos do sexo masculino responderam a pesquisa: 24 (coloca no quadro a frente de masculino)
Quantos têm a idade de 15 a 20 anos: 22 (coloca no quadro a frente da idade a quantidade total)
Quantos responderam SIM, pratica ou praticou o esporte na escola: 21 (coloca no quadro a frente do SIM)
E assim, segue com as outras informações.

1.Sexo
Masculino

Feminino

2.Idade
15 a 20

15 a 20

21 a 25

21 a 25

26 a 30

26 a 30

31 a 35

31 a 35

36 a 40

36 a 40

41 a 45

41 a 45

46 a 50

46 a 50

Acima 50

Acima 50

3.Você pratica ou praticou esporte na escola?
Sim

Sim

Não

Não

Se sim, qual esporte você pratica ou praticou?
Se sim, qual esporte você pratica ou praticou?
Atletismo

Atletismo

Basquete

Basquete

Futsal/Futebol

Futsal/Futebol

Handebol

Handebol

Tênis de mesa

Tênis de mesa

Peteca

Peteca

Outros:
Qual?

Outros:
Qual?

4.Você pratica ou praticou esporte nas aulas de Educação Física?
Sim

Sim

Não

Não

Se sim, qual esporte você pratica ou praticou?
Se sim, qual esporte você pratica ou praticou?
Atletismo

Atletismo

Basquete

Basquete

Futsal/Futebol

Futsal/Futebol

Handebol

Handebol

Tênis de mesa

Tênis de mesa

Peteca

Peteca

Outros:
Qual?

Outros:
Qual?

5.Você pratica ou praticou esporte fora da escola?
Sim

Sim

Não

Não

Se sim, qual esporte você pratica ou praticou?
Se sim, qual esporte você pratica ou praticou?
Atletismo

Atletismo

Basquete

Basquete

Futsal/Futebol

Futsal/Futebol

Handebol

Handebol

Tênis de mesa

Tênis de mesa

Peteca

Peteca

Outros:
Qual?

Outros:
Qual?

6.Se não, qual o motivo de você não praticar ou não ter praticado esporte?