sexta-feira, 21 de julho de 2017

ORIENTAÇÕES PARA O TRABALHO ESCOLAR

Na maioria das instituições acadêmicas como universidades, escolas técnicas, colégios, faculdades, centro de ensino, os mais diversos tipos de trabalho devem seguir uma série de padronizações que devem ser definidas e normalmente são indicadas nas regras existentes da ABNT.

As normas da ABNT para trabalhos escolares são relacionadas para dar base para a execução de um trabalho escolar, trabalho acadêmico, TCC , e muitos outros e servem para manter um tipo de padrão, com o mesmo tamanho de letras, fontes, espaçamentos, etc. Desta forma o conteúdo dos trabalhos são sempre os mais importantes, mas a capa deve seguir o padrão que acaba ajudando a conseguir uma nota mais elevada.

O QUE SÃO NORMAS DA ABNT?

As normas asseguram as características desejáveis de produtos e serviços, como qualidade, segurança, confiabilidade, eficiência, bem como respeito ambiental. Quando os produtos e serviços atendem as expectativas é demonstrado a preocupação em atender as normas que visam qualidade e justiça entre os produtos e serviços. Quando os produtos se mostram de má qualidade, não se encaixam, são incompatíveis com equipamentos já existente, não são confiáveis ou são perigosos e pode causar prejuízo financeiro e acadêmico. Alguns exemplo de aplicação das Normas da ABNT está escola nos trabalhos escolares ou nas dimensões das torneiras do banheiros, até na sinalização de transito com os símbolos normalizados fornecem avisos de perigo e informações através das fronteiras linguísticas.

Exemplo de quem se beneficia é o planeta que habitamos, as normas sobre a qualidade do ar, da água e dos solos, sobre as emissões de gases e de radiação e sobre os aspectos ambientais de produtos, podem contribuir para os esforços em preservar o meio ambiente. Outro exemplo são os consumidores, a conformidade dos produtos e serviços de acordo com as normas oferece garantias sobre sua qualidade, segurança e confiabilidade.

COMO ESTRUTURAR UM TRABALHO ESCOLAR COM QUALIDADE?

Para preparar um bom trabalho é preciso cumprir bem algumas etapas, como a pesquisa, a preparação, a redação e a apresentação. A seguir, mostramos um passo – a – passo para organizar cada uma dessas etapas. Normas para a realização de trabalhos escolares:

Primeiro passo: a pesquisa sobre o tema
O texto do trabalho escolar é um conjunto de informações que podem ter procedências variadas. Portanto, antes de começar a escrever, é preciso pesquisar o tema em várias fontes, como livros, jornais, revistas e internet. Não ficar refém ou extrair informações exclusivamente da internet. É melhor iniciar a pesquisa com o material existente em casa ou na biblioteca da sua escola.

Seleção de informações
Feita a pesquisa, é hora de selecionar os dados por meio de uma leitura mais atenta. A triagem é necessária para que sejam descartadas as informações repetitivas ou que não acrescentem nada ao tema ou informações que não são compreendidas e precisam de mais pesquisa.

Fonte confiável
A seleção de informações deve levar em conta a confiabilidade da fonte. Por isso, é importante compara as informações em mais de uma fonte. É possível verificar, por exemplo, se um mesmo fato foi trata o do mesmo jeito por dois jornais diferentes.

Livros, jornais e revistas.
Verifique quando foram escritos, os livros e as enciclopédias podem conter informações desatualizadas ou conceitos ultrapassados. Jornais e revistas, são voas fontes de consultas para assuntos que exija atualidade de informações. Sempre procure fazer a pesquisa em mais de um jornal ou revista.

Internet
É um grande banco de dados em que computadores ligados entre si e ao mundo inteiro podem trocar informações. Se você não possui acesso à internet em sua casa, verifique se é possível utilizar os computadores da biblioteca da sua escola ou da sua cidade. Lembre-se a internet é somente mais uma fonte de consulta e pesquise em sites confiáveis.

Segundo passo: a redação
Feita a pesquisa de informações, o próximo passo é escrever o trabalho escolar e organizar sua forma de apresentação. De acordo como trabalho, pode-se incluir imagens (fotos, desenhos, gráficos) para ilustrar tópicos do tema. A ilustração enriquece a apresentação do trabalho.

Dicas para escrever
Cada um tem um estilo próprio de escrever. Mas existem algumas recomendações úteis

a) Quanto ao conteúdo.
Elabore um roteiro do que será escrito, procurando imaginar tópicos ou capítulos.
Organize o material pesquisado, distribua as informações entre as divisões estabelecidas
Procure escrever frases, orações e períodos curtos para facilitar a leitura.
Evite a repetição de informações ao longo do trabalho
O título do trabalho NÃO é o nome da DISCIPLINA
Revisar o trabalho: pontuação, coerência, acentos, letras maiúsculas e minúsculas em início de frases, substantivos próprios, etc.

b) Quanto a forma
Não misturar folhas de desenho, pautadas ou de tamanhos diferentes em um mesmo trabalho. Para folhas de ofício e trabalho digitado, usar tamanho A4 (29,7 cm x 21 cm).

No trabalho manuscrito utilizar folhas de papel almaço e respeite as margens que já vem nas folhas.
O trabalho pode ser digitado na cor preta (100%) ou manuscrito na cor azul (100%).
Quando o trabalho for digitado deve-se utilizar a fonte Arial 12 ou Times New Roman 12, justificado e de preferência com o espaçamento de 1,5 cm entre as linhas.
Faça um trabalho limpo e ordenado. Se for manuscrito, evite o uso de corretores e mantenha um padrão para a letra.
Se o trabalho é feito por mais de um aluno, colocar os nomes em ORDEM ALFABÉTICA.
Respeite as margens ou espaços indicados ao longo de todo o trabalho. Dessa forma, ele fica mais “arejado” e a leitura mais fácil.
Utilize parágrafos dentro de cada tópicos ou capítulos.
Faça a paginação das folhas
Se utilizar imagens, encaixe-as próximas ao texto correspondente e faça uma legenda.
Evite usar cores ou outros recursos gráficos que não acrescentem informações ou dificultem a leitura.

APRESENTAÇÃO DO TRABALHO
Há inúmeras maneiras de apresentar um trabalho escolar. Tanto é verdade que, para um mesmo tema, dificilmente haverá trabalhos iguais em uma sala de aula. Cada um terá suas características visuais, sua capa e sua forma de organização. Alguns elementos, no entanto, devem fazer parte de qualquer trabalho escolar.

A seguir, mostraremos uma forma de apresentação padrão, seguindo as normas da ABNT:
1- Capa
2- Folha de rosto ou contracapa
3- Sumário
4- Introdução
5- Desenvolvimento (utilizar quantas páginas forem necessárias)
6- Considerações finais ou conclusão
7- Bibliografia ou Referencial bibliográfico
8- Anexo


Referencial bibliográfico:


ARCHIVE, Cleo. Normas da ABNT para trabalhos escolares – modelos para imprimir. Disponível em:

Normas e regras. Normas ABNT – regras para TCC e monografias atualizada. Disponível em:
<https://www.normaseregras.com/normas-abnt/>. Acesso no dia 21 de abril de 2015.

Portal da Educação, Referências bibliográficas tiradas na Internet: como colocar no trabalho?. Disponível em:

TCC monografia e artigos. Formatação de trabalhos acadêmicos pelas regras e normas padrão. Disponível em:

Slide Share, Orientação trabalho escolar. Disponível em:
<https://pt.slideshare.net/Sirlei13/orientacao-trabalho-escolar>. Acesso no dia 17 de maio de 2015.

Autora deste artigo:
Batista, Mirna Moreira

sexta-feira, 2 de junho de 2017

COMO FAZER UM TRABALHO DA ESCOLAR!

O que é pesquisa?

Segundo Marcos Bagno, em seu livro Pesquisa na Escola:
Pesquisa é uma palavra que veio do espanhol. Este por sua vez, herdou-a do latim. Havia em latim o verbo perquiro, que significava “procurar; busca com cuidado; procurar por toda a parte; informar-se; inquirir; perguntar; indagar bem, aprofundar na busca”. O particípio passado desse verbo latino era perquisitum. Por alguma lei da fonética histórica, o primeiro R se transformou em S na passagem do latim para o espanhol, dando o verbo pesquisar que conhecemos hoje. Perceba que os significados desse verbo em latim insistem na ideia de uma busca feita com cuidado e profundidade.

              Pesquisar, então, consiste em uma busca cautelosa sobre algum assunto e, a partir das informações colhidas, construir um texto inédito. Portanto, copiar parágrafos de um livro, site ou qualquer outra referência, bem como usar uma ideia de um autor e apenas trocar as palavras por sinônimos são considerados PLÁGIO, prática considerada crime, de acordo com a Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências.
Você já fez algum trabalho assim? Então está na hora de mudar!

Como fazer um pesquisa, então?

            Existem inúmeros métodos de pesquisa. Aqui vamos nos ater a um deles, que é o fichamento. Basta seguir os passos a seguir:
  1. Escolha uma fonte confiável;
  2. Leia o texto e sublinhe as informações importante (APENAS as informações importantes; sublinhar todo o texto não ajuda, muito pelo contrário);
  3. Escreva a referência da fonte no topo da ficha;
  4. Anote as informações importantes na ficha correspondente — pode ser em forma de itens. Importante: não reproduza partes do texto na ficha.
  5. Procure outras três fontes e faça o mesmo.
            Quanto maior a quantidade de fontes consultadas, mais confiável torna-se a pesquisa, pois os dados confirmam-se e provam que são verdadeiros, que não se trata de uma informação falsa ou incorreta.
Para as pesquisas em sala de aula estabelecerei, no mínimo, 3 fontes consultadas, ou seja, 3 fichas. Essas fichas ajudarão você a produzir um texto inédito.

Como analisar os dados?

             Para iniciar um texto de sua autoria, que é o produto final da sua pesquisa, é preciso analisar os dados das fichas, comparando uns com os outros: se há informações que se repetem, se há informações divergentes, se alguma traz um dado novo, etc. Quando os dados repetem-se, é bem provável que sejam verdadeiros e, portanto, podem ser usados na sua pesquisa. Quando há informações divergentes, ou seja, que não conferem, como por exemplo algum ano, algum fato que está fora de ordem, deve-se consultar outras fontes confiáveis para tirar a dúvida. Após analisar os dados é o momento de começar a escrita do seu texto a partir das informações que você coletou nas fichas.
               Assim é bem mais fácil, não é mesmo?

O que é uma fonte confiável?

           Ao longo dessa leitura, você deve ter reparado na quantidade de vezes que foi utilizada a palavra confiável logo após a palavra fonte, correto? Pois bem, nada adianta fazer uma pesquisa se usamos dados ou informações inventadas, não é mesmo? As fontes confiáveis são assinadas por algum especialista da área. Todos podemos criar um blog sobre algum tema, mas só quem tem o conhecimento sobre o assunto é que poderá fornecer uma informação que se pode confiar.
          Geralmente, nos sites específicos sobre Educação Física, por exemplo, há a assinatura de quem escreveu e, inclusive, às vezes indica a sua formação na área — Graduado em Educação Física pela Universidade X, por exemplo, o que dá credibilidade ao seu trabalho.
Anotar sempre a fonte bibliográfica ajuda nos futuros trabalhos. Se o fonte é confiável, você poderá recorrer a ela sempre que tiver dúvida. Citar a fonte no trabalho escola demonstra que você realizou algumas ou muitas leituras para depois realizar o seu trabalho final.

Procedimentos iniciais do aluno:
  • Selecionar as fontes que vai consultar;
  • Leia o material pesquisado várias vezes, faça um resumo destacando as principais informações levantadas e escreva um texto com suas próprias palavras;
  • Examinar os títulos e fazer anotações sobre o que o interessa;
  • Organizar as anotações, em função do roteiro estabelecido;
  • Construir seu próprio texto; redigir;
  • Ilustrar a matéria produzida, fazendo suas próprias ilustrações ou selecionando-as de materiais prontos;
  • Enriquecer o trabalho com mapas, gráficos, reportagens e entrevistas, se for o caso.
  • Cuidado com a redação do trabalho. Faça sempre uma correção com o propósito de corrigir erros ortográficos e gramaticais;
  • Não transforme seu trabalho numa simples cópia de livros ou sites. Usando deste artifício, além de você não aprender nada, ainda corre o risco de tirar uma nota baixa.

Fonte bibliográfica:
http://www.lendo.org/como-fazer-trabalho-escolar/, acessado em 22 de abril de 2014
http://www.suapesquisa.com/trabalho_escolar.htm, acessado em 21 de abril de 2014.
https://novaescola.org.br/conteudo/2568/como-fazer-uma-boa-busca-na-internet, acessado em 20 de abril de 2014.

SEMINÁRIO: COMO ELABORAR E APRESENTAR

              É muito comum professores pedirem aos alunos apresentação de pesquisa sobre um determinado tema em forma de seminário. Infelizmente, os alunos recebem poucas informações de como realizar um bom seminário ou apresentam deficit na compreensão do que seja um seminário ou tem dificuldade em falar em público devido algum trauma anterior na sua vida escolar. Poucos são os professores que se dão o trabalho de explicar os passos que devem ser seguidos no desenvolvimento dessas atividades. Porém, o seminário é uma metodologia positiva para o aluno pois oferece autonomia e independência nos estudos individuais e posteriormente tem o reflexo no coletivo.

O que é seminário?

                É um método de estudo, com objetivo de levar todos os participantes a uma reflexão aprofundada de determinado problema, a partir de textos e em equipe. Sendo assim, todos os participantes têm de ter contato com o texto básico e saber substituir o colega encarrado de determinado tópico. Todos devem saber a mensagem central do texto a ser apresentado. Igualmente, todos devem estar preparados para o julgamento e crítica do texto, além de estar preparados para fazer perguntas sobre o tema para os ouvintes (para prender a atenção de todos)

Roteiro de um seminário:

1. Deve-se apresentar material impresso com o tema desenvolvido à professora, para que acompanhe a apresentação do grupo. No caso de textos literários, resumo da biografia do autor, do texto em questão e da ideia central do texto. Pode haver, mas não é obrigatório, um trecho do texto, escolhido pelo grupo como central, sobre o qual se deve fazer uma leitura em voz alta.
2. Faça um roteiro do que será falado (pode incluir os temas do texto), porém a leitura do roteiro integralmente não caracteriza um seminário, cuidado com leitura e a falta de explicação sobre o tema, transmite a sensação de falta de preparo e pouco estudo. O roteiro de leitura escrito é uma síntese dos momentos lógicos essenciais do texto, não apenas recortar partes do texto, mas realizar uma síntese de todo o texto.
4. Bibliográfica: no caso da literatura, dicionários, obras clássicas de abordagem da história, etc.
5. Todos do grupo deve fazer o seu roteiro de estudo sobre todo o tema, devem todos falar o seu roteiro de estudo e não interromper outro integrante do grupo que esteja falando. 

Apresentação do seminário

            O grupo de seminaristas deverá um fazer uma pequena introdução do trabalho, relatar o tema, apresentar os integrantes do grupo, descrever o método de apresentação, ter o conhecimento das partes previamente divididas entre si e uma postura crítica e confiante. A interpretação da pesquisa realizada é fundamental, “o salto par além do texto”. Então, para isso deve-se evitar a leitura unicamente e posicionar-se criticamente sobre o tema, com segurança, preparo antecipado, com o roteiro de apresentação em mãos e firmeza no que está falando.

Recursos audiovisuais.

               A linguagem predominante em um seminário é a verbal. Isso não significa que não se possa fazer usos de outros recursos, como os audiovisuais, por exemplo. Retroprojetor, filmes, slides, cds, e datashow, cartolinas, banner, paineis, escrever na lousa o roteiro pode e devem ser usados numa apresentação, desde que não substituam a exposição verbal. Lembre-se de que tais recursos são apenas apoios.

Postura do apresentador

               Os apresentados deve falar em pé, com o esquema nas mãos, olhando para todo o público, devendo permanecer sempre de frente para a plateia, mesmo quando usar a lousa, retroprojetor ou o datashow. A fala do apresentador deve ser modulada, alta, clara, bem articulada e com entonação variada, para que a explicação não fique monótona. Se consultar o roteiro, deve fazê-lo sem baixar excessivamente a cabeça, para que a voz não se volte para o chão, prejudicando a audiência. O apresentador deve mostrar-se seguro sobre o tema e atento ao tempo previsto para sua apresentação.

Oralidade

            Embora a modalidade usada nos seminários seja a falada, recomenda-se que o apresentador evite certos usos da linguagem verbal, tais como os, “né?; tá?; ahn”, pois devido ao fato de o seminário ser uma atividade mais forma, tem-se a predominância da variedade padrão da língua, havendo, assim, certa proximidade com a escrita.

Ultimas considerações

  • Preparar tudo como se fosse assistir ao seu próprio seminário e como se a plateia não soubesse nada sobre o tema.
  • Não leia a ficha do roteiro, apenas, mas apresente após devorar, treinar, ensaiar.
  • Ignore o professor e fale para a plateia.
  • Jamais apresente o seminário se não tiver a par de todos os tópicos, incluindo o vocabulário.
  • Dificuldades enfrentadas pelo grupo pode fazer parte das conclusões.
  • Não esqueça de finalizar a apresentação com um conclusão sobre o tema e agradecer a plateia.

Escrito por:
Jorge Viana de Moraes, é mestre em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. É professor universitário em cursos de graduação e pós graduação

Bibliografia:

quarta-feira, 26 de abril de 2017

ESPORTE NA ESCOLA: mas é só isso, professor?

A educação física é componente curricular obrigatório da educação básica (BRASIL, 2003) que tem como especificidade viabilizar aos alunos o acesso ao conhecimento da cultura corporal. A disciplina educação física é obrigatória assim como as demais disciplinas escolares (matemática, língua portuguesa, artes, história, geografia etc.) e, em comparação com as demais disciplinas, a matéria que a maioria dos alunos mais gostam, por representa um espaço menos rígido que o da sala de aula, por que ainda existem alunos que não participam das aulas? Por que isso ocorre na maioria das vezes com a educação física? Quais são os motivos que leva a Educação Física a perder o espaço no Ensino Médio?
As perguntas são pertinentes a partir da observação da rotina de sala de aula e na sobre carga de práticas centrados no esporte. O esporte é um instrumento e prática mais reforçada como conteúdo do movimento corporal na escola. A Educação Física apresenta uma diversidade de conhecimento, mas mesmo assim, nos restringimos apenas 04 modalidades nas aulas de Educação Física, tais como, futsal, basquetebol, voleibol e handebol, o Quarteto Fantástico. As outras modalidades como o atletismo e a ginástica artística não são difundidas entre os alunos desta faixa etária. E se olharmos mais a fundo, conteúdo com dança, capoeira, judô, atividades expressivas, ginástica, folclore e outras, são relegadas a projetos e momentos excluídos do currículo e das aulas de Educação Física.
A identificação do aluno com a aula de Educação Física começa desde as primeiras aulas da Educação Infantil. É o único lugar onde o corpo cria voz através do movimento, mas as oportunidades para conhecimento de outras práticas ainda apresenta limitações, e as opções dadas ao individuo são mínimas. Pesquisas em escolas públicas e particulares, realizada pela autora Betti (1992), descreve bem esta limitação de oportunidades, restrito ao voleibol, basquetebol e futebol. E os alunos que não se identificam com nenhuma destas praticas esportivas responderam que gostariam de aprender outros conteúdos.
A Educação Física tem no movimento corporal, o meio e o fim para atingir o objetivo educacional, utilizando das diversas atividades, como o jogo, o esporte, a dança ou a ginástica. Mas a escola assumiu o ensino exclusivo do esporte, como estratégia para alcançar esses objetivos. Uma distorção dos conteúdos curriculares e do objetivo da disciplina na escola. Essa hegemonia do esporte passou a existir depois da Revolução Industrial, ocorrida na Inglaterra. Outro marco foi a ascensão da classe média ao poder politico e a influência social que o esporte passou a proporcionar as camadas inferiores da sociedade. Sua expansão deu-se, a partir do final do século XIX. (Betti, 1991)
O esporte, então, é fruto da sociedade industrial moderna e reproduz o proposto pela sociedade, no que toca a suas ideologias. O esporte é cópia do relacionamento capital dessa sociedade. Com isso a esportivização foi o próximo passo para a construção do esporte na escola, com seu auge na década de 70, onde o binômio mais utilizado foi Educação Física/Esportes, chegando o governo a subordinar a Educação Física escolar ao esporte. Os códigos do esporte, tais como o rendimento atlético desportivo, a competição, comparação de rendimentos e recordes, regulamentação rígida, sucesso esportivo e sinônimo de vitória são lemas da Educação Física Escolar, consequentemente da sociedade capitalista. O professor passa a professor-treinador e o aluno a aluno-atleta, uma vez que falta uma definição do papel do professor de Educação Física. Enfim, a finalidade da esportivização no contexto escolar não é mais a educação, é o rendimento.
Com esse modelo de Educação Física Esportiva, aumentar ou diminuir o número de horas dedicadas ao esporte, não o tornarão necessariamente educativo. É necessário pensar no esporte como um fenômeno social massivo devido à mídia, onde se tornou um negócio lucrativo (o mesmo acontece com o cinema). Se por um lado o esporte exerce um papel social, por outro lado, é constituído pela atividade física pura. Não é possível adotar a "política do avestruz" ocultando qualquer um destes papéis. E um dos papéis educacional é a aprender a discutir o que acontece no esporte, por exemplo, na questão política dos boicotes olímpicos, os ídolos, e não simplesmente negá-los, a falta de direitos trabalhistas para atleta, a exclusão de gêneros, marginalização da diversidade corporal.
Em meio a este cenário esportivo, aumenta-se a preocupação com o envolvimento do aluno nas aulas de Educação Física e o com seu aprendizado efetivo e concreto. Cruz de Oliveira (2010) identificou três modelos de alunos, de acordo com a participação nas aulas: “aqueles que não participavam das práticas corporais, os que participavam de tudo e aqueles que se encontravam na fronteira entre esses dois grupos” (CRUZ DE OLIVEIRA, 2010, p. 141). Segundo o autor, o sistema escolar contribui para que a educação física seja vista como um espaço menos rígido quando comparada às demais disciplinas, pois, há uma centralidade da atividade intelectual nas atividades escolares, pouca importância às práticas corporais na escola e o momento de relaxamento intelectual seguido de prazer e descontração.
O sistema escolar é composto por sujeitos e saberes, uma relação entre professor-aluno-conhecimento. Podemos apontar um dos motivos para a hegemonia esportiva e a visão da Educação Física desleixada a resistência dos professores face a novas propostas de ensino. Geralmente o ano é dividido em "bimestres letivos". No 1° bimestre é oferecido o futebol, no 2º o handebol, no 3º o basquetebol e no 4º bimestre o voleibol. Se esta programação é cumprida, pelo menos consegue-se mostrar aos alunos quatro modalidades. O problema é quando ela é repetida para todos os alunos, do mesmo jeito, independentemente da faixa etária e quando ela se repete ano após ano, sem alterações. Pior ainda é quando ela fica apenas no papel, e os alunos vêem apenas uma modalidade durante todo o ano, de forma livre, sem acréscimo de conhecimento e desvalorizada enquanto cultura escolar.
Neste ponto pergunto: onde ficam os conteúdos como a dança de salão, a capoeira, a ginástica aeróbica, a musculação? Isto sem contar a ginástica artística, o folclore e o atletismo que também não são utilizados. Por que isto acontece? Muitos podem ser os motivos. Talvez o receio de mudar ocorra pela insegurança dos professores em relação a conteúdos que não dominam, e desta forma trabalham com o que possuem mais afinidade. Ou por acreditarem que a escola não possui nem espaço, nem material apropriado, ou ainda por acharem que os alunos não gostariam de aprender outros conteúdos.
A questão do espaço em algumas escolas é realmente um assunto delicado. O professor sempre imagina uma aula na quadra, com bolas oficiais, etc. Quando isto não existe na escola, ou quando a quadra não pode ser utilizada, a aula termina. Mesmo que o conteúdo a ser desenvolvido seja a ginástica, por exemplo, ou a dança, a aula é, via de regra, realizada na quadra. A escola acaba preocupando-se com a organização do espaço físico voltado aos padrões esportivos vigentes e adapta este espaço apenas com fins de competições esportivas. Assim, em escolas temos quadras, mas não salões de dança, por exemplo; os próprios professores acabam não sabendo fazer outra coisa a não ser utilizar as instalações esportivas.
Em relação ao material observa-se o mesmo tipo de problema. Utilizam-se materiais caros, com pouca durabilidade, como no caso de bolas, onde nem o Estado, Prefeitura ou escola particular sente-se responsabilizado pela compra. Entretanto, também neste item não observamos uma renovação. Poucos são os professores que procuram utilizar outros materiais, diferentes dos convencionais nas aulas. Isto define, inclusive, o tipo de conteúdo a ser desenvolvido. Se uma escola possui apenas bolas de basquetebol, o conteúdo girará somente em tomo deste esporte. Embora isto inviabilize alguns conteúdos esportivos, não impossibilita outros.
Neste modelo tradicional e esportiva das aulas de Educação Física, a base de valores parte da competição e do individualismo, que acaba dando lugar a atitudes agressivas, em função de comportamentos competitivos e frustrantes, pois deixa de lado a satisfação pela participação, afastando aqueles que se sentem menosprezados por não conseguirem vencer. É comum conhecermos alguém que atribui a desvalorização às práticas corporais devido às experiências negativas tidas na escola, relacionadas com o esporte, quando teve algum tipo de frustração decorrente de atitudes preconceituosas ou tristeza por sentimento de inferioridade. Esses alunos se sentem menosprezados quando sofrem preconceito dos colegas, por não terem determinada habilidade para o esporte.
Desta forma, os alunos se tornam passivos no processo de ensino aprendizagem e o professor não legitima sua prática pedagógica, reforçando o sistema social. Imaginem um aluno que sempre jogou voleibol separado por gênero durante os anos de sua escolaridade, e da forma que esse esporte é transmitido pela televisão, com as mesmas regras, sem saber por que jogam de determinada forma, se é possível construir suas próprias regras, se existem outras formas de jogar. Qual a contribuição das aulas de educação física para sua formação?
Não é tarefa simples solicitar a participação dos alunos nas aulas de educação física, quando eles próprios argumentam que não aprendem nada de novo, ou quase nada com esta disciplina. Infelizmente há muitos professores que apresentam a característica de dar a bola aos alunos e deixá-los assumir as responsabilidades da aula. Há um faz-de-conta quando o professor não busca a efetiva participação do educando, pois não se esforça em ensinar conteúdos relevantes e o estudante, por sua vez, não se importa com esse descaso, mas tem consciência que isso ocorre.
O artigo tentou mostrar outras discussões que também são negadas, no sentido de, questionar a pouca utilização de outras modalidades esportivas e outros conteúdos da Educação Física para que a mesma não continue sendo vista como o binômio Educação Física/Esporte e muito menos Educação Física/ "alguns esportes". Vários motivos podem servir como explicação para o fato da não utilização de outros conteúdos. Outros fatores podem estar intervindo na escolha dos conteúdos pelos professores de Educação Física e o afastamento do aluno na prática dessas aulas. Cabe agora a estes professores e alunos tomar a decisão de questioná-las e mudar.

Referência bibliográfica:
BETTI, Irene Conceição Rangel. Esporte na escola: mas é só isso, professor? Revista Motriz: volume 1, numero 1, pg. 25 a 31, junho de 1999.

TENÓRIO, Jederson Garbin; SILVA, Cinthia Lopes da. Educação Física Escolar e a não participação dos alunos nas aulas. Ciência em Movimento, Volume 2, número 31, página 71 a 80, 2013.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A equipe Força Atlética garante sua vaga na Liga Nacional de Handebol em 2017


Hoje, no jornal do Globo Esporte, edição do meio dia, passou uma reportagem sobre a equipe feminina do Força Atlética e sua campanha na Liga Centro-Oeste. O torneio aconteceu nos dias 9, 10 e 11 de dezembro, em Anápolis, a ultima etapa da Liga Centro - Oeste. A equipe feminina do Forçe Atlética fez uma campanha belissíma e invicta, consagrando - se campeã e garantindo uma vaga na Liga Nacional de Handebol em 2017. É o retorno da equipe, depois de 2 anos fora do cenério nacional.
Assistam ao vídeo da reportagem no link abaixo:

http://globoesporte.globo.com/go/videos/t/edicoes/v/equipe-goiana-de-handebol-desponta-nas-quadras/5513581/

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O que acontece com o seu corpo quando você pula refeições?

Que atire a primeira pedra quem nunca olhou no relógio e não conseguiu se lembrar da última vez que comeu algo. Ou quem pensou em todas as coisas que tinha para fazer no dia e concluiu: não vai dar tempo de almoçar.  Não importa o motivo, às vezes, pular refeições torna-se algo comum na rotina. Mas, os especialistas são bastante enfáticos sobre os efeitos que a falta de comida no organismo pode causar no seu corpo e mente. Como regra geral, eles dizem que você deve comer a cada três horas. E o que acontece se não consumir nada com tanta frequência? 
Mulher comendo sopa de abóbora

1. O metabolismo vai ficar lento


Embora o tempo necessário entre as refeições varie de organismo para organismo, existem várias razões para comer regularmente. Fazer pequenas refeições ao longo do dia é o que mantém o seu metabolismo acelerado, evita quedas de energia e mantém você alerta e focada, além de impedir excessos nas refeições principais.

2. Sua mente pode perder produtividade


O principal combustível para o cérebro é a glicose, que você geralmente obtém ao comer alimentos ricos em carboidratos. Os complexos, como frutas, verduras e cereais integrais, são as fontes mais nutritivas de glicose, porque eles levam mais tempo para digerir do que os refinados (além de serem fontes importantes de nutrientes). Sem a ingestão frequente de carboidratos, o açúcar no sangue pode cair muito, fazendo você sentir lenta, irritada e também dificultar a sua capacidade de atenção.

3. Seu corpo e sua mente vão sentir os efeitos...


Você vai se sentir incapaz de realizar tarefas simples, como responder e-mails, mas vai conseguir focar toda a sua atenção em comidas. Quando você deixa de comer por algum tempo, o desejo de ingerir algo toma conta do seu corpo e mente. Se você não saciar a necessidade do organismo, poderá experimentar tremores ou suadeiras como resposta.

4. Vai ser difícil fazer escolhas saudáveis ​​em sua próxima refeição
Quando as pessoas estão com muita fome, tendem a ir direto nos carboidratos e doces, porque irão elevar o açúcar no sangue. Sem nutrientes como proteínas para equilibrar o aumento da glicose, a ingestão pode fazer seu pico de glicose subir muito e cair logo em seguida - o que não é o ideal para o corpo. Além disso, quando a fome está muito intensa, fica mais difícil ser racional e fazer escolhas saudáveis, o mais comum é que as pessoas comam o primeiro alimento que aparecer.
Referencial:
http://www.msn.com/pt-br/saude/nutricao/o-que-acontece-com-o-seu-corpo-quando-voc%C3%AA-pula-refei%C3%A7%C3%B5es/ar-BBwlX2v?li=AAggXC1&ocid=mailsignout, pesquisado em 22 de setembro de 2016, às 11:11.

sábado, 17 de setembro de 2016

A BAIXA PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS DE ENSINO MÉDIO NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA

Hoje em dia tanto se fala da importância da Educação Física na vida das pessoas e na escola. Mais o que observamos é que apenas uma parcela dos alunos, em geral os mais habilidosos na os estão efetivamente engajados nas atividades propostas pelo professores, algo que permite com que os alunos mais habilidosos demonstrem o seu conhecimento mediante a atividade solicitada na qual a competição é vista como oportunidade de se destacar entre o grupo de amigos que tanto é valorizado pelo aluno do Ensino Médio.

Devide (1999) apud Mattos & Neira (2000) em recente pesquisa em uma escola de Ensino Médio, investigou a concepção de Educação Física dos alunos no cotidiano e o papel do professor enquanto educador. Os resultados indicam que os alunos encaram a Educação Física como uma disciplina sem relevância para manter-se dentro do currículo escolar, com conteúdos repetitivos e sem aplicabilidade no cotidiano, além de não motivar a prática permanente de exercícios fora da escola.

Assim, nesta perspectiva, as aulas de Educação Física, como são aplicadas, não promovem o interesse prático pelas atividades por parte dos alunos.

Braid (2003) argumenta que, ao analisar a Educação Física contextualizada à história do país, percebe-se que de uma maneira bastante singular, ela sempre esteve a serviço da ideologia dominante, caracterizando-se como uma atividade alienante e elitista. Alienante ao excluir crianças e adolescentes (consideradas/ os inaptas/os ou sem habilidades específicas) em nome do esporte de alto nível. Elitista pela forma como vem tratando o corpo do aluno, visto como objeto manipulável, o qual deveria ser enquadrado em padrões mínimos aceitáveis de rendimento.

Mattos & Neira (2000), ao analisarem a ciência da Educação Física, destacam que: a ciência da Educação Física indica alguns princípios para execução de qualquer programa, desde andar de bicicleta até jogar futebol ou simplesmente, caminhar. Seguir esses princípios é uma condição indispensável para que a participação de qualquer pessoa nas atividades seja uma experiência proveitosa e, se possível, agradável.

Ao final de um período de execução de qualquer atividade que acompanhe esses princípios, o executante perceberá os benefícios adquiridos e a provável adoção de um estilo de vida ativo, ou seja, a manutenção dos benefícios.

A Educação Física é um componente curricular que pode proporcionar ao aluno a capacidade de conhecer seu corpo, com práticas de atividades prazerosas, assim como a interação com o professor e demais alunos. Segundo Paes (2001), a Educação Física escolar poderá permitir ao aluno o exercício de sua cidadania, na qual o trabalho e o lazer são fundamentais para uma boa qualidade de vida. Para nós, cidadania significa participação e para participar da Educação Física é preciso saber, conhecer, analisar e refletir a prática.

Hanauer (2009) assinala que a Educação Física é um meio essencial para a formação do cidadão, pois durante uma atividade em muitas situações o aluno tem que tomar decisões rápidas, deve ser ágil e encontrar a maneira mais fácil de ultrapassar os obstáculos, e é exatamente isso que acontece na sociedade atual, devemos estar preparados para as mudanças e as exigências que temos de enfrentar. A Educação Física escolar tem o grande papel de educar, socializar, motivar proporcionando uma vida saudável e melhorando a qualidade de vida dos alunos.

Fatores que justificam a evasão nas aulas de Educação Física
    
Segundo Darido (2004) uma das hipóteses possíveis para o número reduzido de aderentes à prática da atividade física pode residir nas experiências anteriores vivenciadas nas aulas regulares de Educação Física. Muitos alunos acabam não encontrando prazer e conhecimento nas aulas de Educação Física e se afastam da prática na idade adulta.

O autor complementa que, atualmente entende-se a Educação Física na escola com uma área que trata da cultura corporal e que tem como finalidade introduzir e integrar o aluno nessa esfera, formando o cidadão que vai produzi-la, reproduzi-la e também transformá-la.

Segundo Almeida (2007) outro fator que pode ser destacado como principal origem das dificuldades ou desinteresse na Educação Física escolar, são os conteúdos realizados nas aulas, principalmente relacionado aos esportes. Assim como os conteúdos, as metodologias adotadas pelos professores que privilegiam apenas o esporte durante as aulas e toda a vivência escolar das crianças e adolescentes, sendo utilizado de forma rotineira e inadequada no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, em que os alunos praticam as mesmas atividades, muitas vezes sem um planejamento adequado realizados pelos professores nas aulas, parecem ter como conseqüência a evasão nas aulas de Educação Física.

Paula e Fylyk (2009) ressaltam que com relação aos aspectos fisiológicos da fase adolescente, comprova-se que eles influenciam, na maioria das vezes ao desenvolvimento de alguns fatores psicológicos que atrapalham a participação desses alunos nas aulas, como a vergonha do corpo.

As autoras concluíram que os fatores psicológicos mais comuns na adolescência são baixa estima por não possuir habilidade nos esportes, timidez excessiva em se expor frente aos colegas e o desenvolvimento precoce e tardio desses jovens que afetam diretamente sua auto confiança, para mais ou para menos.

Gambini, (1995) citado em Darido (2004), também procurou verificar a opinião dos alunos dispensados sobre a prática da Educação Física na escola. Os resultados mostraram que a maioria dos alunos não participa das aulas e pede dispensa por motivos de trabalho; em seguida, os alunos apontam para a falta de material e o desinteresse dos professores; a minoria afirma se afastar das aulas por problemas de saúde. Entre estes alunos (dispensados) 37,5% realizam atividade física em clubes ou academias. São dados alarmantes que mostram a ineficiência do ensino formal em manter a motivação dos alunos. O descontentamento pelas aulas ocorre na opinião dos alunos porque elas deveriam ser diferentes e necessitam de variações (música, outros esportes, etc.).

Pelo que se a aborda na literatura, os principais fatores de exclusão dos alunos nas aulas de Educação Física são os conteúdos realizados nas aulas, principalmente relacionado aos esportes, as metodologias adotadas pelos professores que privilegiam apenas o esporte durante as aulas, sendo utilizado de forma rotineira e inadequada tanto no Ensino Fundamental e como Ensino Médio, muitas vezes sem um planejamento adequado realizados pelos professores nas aulas.

A Influência dos fatores psicológicos

As emoções interferem significativamente na participação dos alunos nas aulas de Educação Física. Para Mattos e Neira (2000), sentir emoções, transmitir vontades, decidir sobre o que fazer e explorar as potencialidades com vigor são mensagens emitidas pelos alunos por meio dos movimentos corporais, os professores, por sua vez, não as consideram significativas mediante o que denotam entender por ação pedagógica no processo ensino-aprendizagem.

Para o autor, continua prevalecendo, exclusivamente, o corpo que corre com mais velocidade, que é capaz de pegar a bola mais vezes sem deixá-la cair no chão e tantos outros mais que aparecem enfatizados durante as atividades. O ter e o poder corporal ainda predominam sobre o “ser corpo” que pensa, age, sente e se comunica pelos seus gestos e expressões.

Darido (2004) argumenta que, com relação aos aspectos fisiológicos da fase adolescente, comprova-se que eles influenciam, na maioria das vezes ao desenvolvimento de alguns fatores psicológicos que atrapalham a participação desses alunos nas aulas, como a vergonha do corpo que existe por mais que não tenha aparecido nos relatos, mas em observação realizada conseguiu-se identificar, principalmente nas meninas, justamente por haver uma maior exposição do aluno durante as aulas de Educação Física do que nas outras disciplinas, acarretando timidez e vergonha do próprio corpo perante os colegas.

Considero fundamental reiterar que a adolescência, além de tudo é uma fase de insegurança, onde as alterações no corpo tornam-se evidentes. Nas aulas de educação física, os alunos(as) ficam mais exposto, o que resulta certo constrangimento e motivo de evasão. Os alunos que não se destacam muito no esporte, também sentem certo receio de participar do esporte, sentindo-se tímido por não ter a mesma eficiência do colega.

A motivação

A motivação é um fator preponderante para a participação dos alunos nas aulas de Educação Física. Muitos alunos se sentem desmotivados em razão dos conteúdos metódicos das aulas.

Para Magill (1984), citado em Franchin e Barreto (2009) a motivação é importante para a compreensão da aprendizagem e do desempenho de habilidades motoras, pois tem um papel importante na iniciação, manutenção e intensidade do comportamento. Sem a presença da motivação, os alunos em aulas de Educação Física, não exercerão as atividades, ou então, farão mal o que for proposto.

Segundo Franchin e Barreto (2009) a análise da motivação relacionada com a psicologia é tida como uma força propulsora (desejo) por trás de todas as ações de um organismo, pode-se dizer que é destacada como o sentimento de uma necessidade, ou seja, um conjunto de fatores psicológicos (conscientes ou inconscientes) de ordem fisiológica, intelectual ou afetiva, os quais agem entre si e determinam a conduta de um individuo, despertando sua vontade e interesse para uma tarefa ou ação conjunta. A motivação surge de dentro das pessoas, não há como ser imposta. Despertar o interesse para a qualidade é fundamental, uma vez que não se implanta qualidade por exortação, decretos ou quaisquer mecanismos coercivos.

Paula & Fylyk (2009) com relação à motivação desses, agora adolescentes, nas aulas, verifica-se que conduzir uma aula em que todos estejam satisfeitos, felizes e motivados é uma tarefa para poucos, uma vez que a motivação depende de uma série de fatores: internos ou intrínsecos e externos ou extrínsecos.

Como fatores internos podem ser citados: a necessidade, atração e a disposição. Dentre os fatores externos que influenciam na motivação das aulas, mais especificamente nas de Educação Física os principais são: o professor e a metodologia utilizada, o conteúdo aplicado, o relacionamento do professor com a turma e a estrutura da escola, entre outros fatores específicos de cada realidade.

Franchin e Barreto (2009) argumentam que o comportamento Internamente Motivado: são aqueles em que a pessoa dirige-se à atividade voluntariamente, empenhando em sentir-se competente e auto-determinada. Exemplo: o atleta que compete pelo prazer de superar seus próprios recordes e limites. Comportamento Externamente Motivado: são aqueles comportamentos em que a pessoa é levada à ação por uma recompensa externa. Exemplo: a criança ou adolescente que pratica alguma modalidade esportiva por imposição de seus pais, para realizar o sonho dos mesmos.

Os motivos intrínsecos são resultantes da própria vontade do indivíduo, enquanto os extrínsecos dependem de fatores externos. As aulas de Educação Física escolar são citadas quase que sem exceções por praticamente todos os alunos como a disciplina que mais gostam dentre as demais, e talvez a única que possibilita uma integração social e afetiva tão grande e relevante entre os alunos. Também é nas aulas de Educação Física que os alunos convivem frente a frente com a realidade social, pois é nessa aula que os mesmos tem de aprender a respeitar as regras, saber vencer, saber perder, cumprir horários, respeitar companheiros e adversários, vencer seus próprios limites como o medo, vergonha, timidez.

Para o autor, muitos alunos quietos e tímidos durante as aulas em sala de aula acabam por se soltar nas aulas de Educação Física e interagir de outra forma com seus colegas, pois a aula de Educação Física é geralmente alegre e dinâmica, e diferentemente do esporte de rendimento a Educação Física escolar busca a inclusão de todos, sempre respeitando as dificuldades e limites de cada um. O relacionamento entre professores e alunos também é diferente entre a Educação Física e as demais disciplinas, percebe-se uma aproximação maior entre os alunos e os professores, uma relação de amigos o que é difícil perceber em outras disciplinas.

Segundo preconiza Reeve (1995), o estudo da motivação extrínseca se baseia em três conceitos principais: recompensa, castigo e incentivo. Uma recompensa é um objeto ambiental atrativo que se dá ao final de uma seqüência de condutas e que aumenta a probabilidade de que essa conduta volte a acontecer. A aprovação, as medalhas, os troféus, os certificados e o reconhecimento são objetos ambientais atrativos dentro do contexto desportivo oferecidos depois de se realizar bem um exercício e de se ganhar uma competência. O castigo é um objeto ambiental não atrativo que se dá ao final de uma seqüência de condutas e que reduz as probabilidades de que tais condutas voltem a acontecer. A pessoa que recebe a crítica e é ridicularizada em público tem menos probabilidade de repetir essas condutas que o indivíduo que não recebe tão desagradável objeto ambiental. Na aula de Educação Física, o desenvolvimento da competência desportiva faz com que o indivíduo crie expectativas de conseqüências atrativas e não atrativas que o levarão a participar ou não das aulas.

Para o autor, a motivação intrínseca como sendo uma conduta realizada por interesse e prazer, baseada em uma série de necessidades psicológicas, dentre elas a autodeterminação, a efetividade e a curiosidade, responsáveis pela iniciação e pela persistência da conduta frente à ausência de fontes extrínsecas de motivação.

Stavisky e Cruz (2008) afirmam que a Educação Física possui uma “atração natural” nas séries iniciais do Ensino Fundamental, mas esta tende a diminuir a partir da 5ª e 6ª séries. De modo geral, o desinteresse é presente em ambos os sexos. Contudo, é muito difícil que na escola as aulas de EF acabem por desagradar a todos ou mesmo desaparecer do currículo. A tendência é existir aqueles que gostam de participar das aulas e os que preferem não participar. Estes dois lados que o professor vivencia geram muitas reflexões e preocupações por parte professores e pesquisadores interessados em conquistar uma participação plena dos alunos nas aulas. Alguns esforços já foram feitos no sentido de descobrir o que leva os alunos a participarem mais das aulas, porém, neste complexo fenômeno, há muito ainda por descobrir. Daí a necessidade de continuarmos pesquisando o assunto.

Os autores complementam que: “conteúdos repetitivos” e “falta de compreensão dos alunos com os próprios colegas e professores” é um dos principais motivos que afastam os alunos das aulas, principalmente, os menos “habilidosos”; fato que pode ser mais bem compreendido, observando a necessidade de uma maior compreensão quanto aos diferentes níveis de desempenho motor apresentada pela parcela de alunos que declara não gostar das aulas de Educação Física.

A linguagem corporal não é uma “propriedade” da Educação Física e, embora seja a sua especificidade, deve ser trabalhada em outros momentos da jornada educativa, tendo a dimensão lúdica como princípio norteador. As discussões em torno da Educação Física em todo o ensino e suas problemáticas específicas é muito discutida nas literaturas, porém as questões relacionadas a evasão na disciplina no contexto educacional brasileiro, parecem não fazer parte da formação dos(as) licenciados(as) em educação física. Cabe ao profissional de Educação Física analisar as diferenças de cada aluno, suas dificuldades e deficiências e, dessa forma evitar a evasão das aulas.

Referencial bibliogråfico:
Santos, Rodrigo Maia dos; Duque,  Luciana Fernandes. Evasão na aula de Educação Física: fatores que interferem na participação do aluno. Revista Digital, Buenos Aires, año 15, numero 149, octubre 2010. http://www.efdeportes.com/